Baculovírus: inseticida no manejo de lagartas do milho e da soja

lagarta do cartucho atacando soja

Sumário

Baculovírus no manejo de lagartas do milho e da soja, com atuação seletiva sobre lepidópteros, integração ao MIP, aplicação por ingestão, uso técnico no campo e posicionamento correto em sistemas agrícolas tropicais. 

A intensificação dos sistemas agrícolas no Brasil, especialmente nas culturas da soja e do milho, ampliou a pressão de seleção sobre populações de insetos-praga, em particular lagartas de lepidópteros. 

O uso recorrente de inseticidas químicos de amplo espectro contribuiu para o surgimento de resistência, desequilíbrios biológicos e redução da eficiência de controle em médio e longo prazo.

Nesse cenário, o controle biológico consolidou-se como componente estratégico do Manejo Integrado de Pragas (MIP)

Entre os agentes biológicos disponíveis, os baculovírus destacam-se pela alta especificidade, segurança ambiental e compatibilidade com sistemas produtivos intensivos, especialmente em regiões tropicais.

O baculovírus não atua como substituto direto e imediato dos inseticidas químicos convencionais, mas como ferramenta técnica que exige planejamento, monitoramento e timing correto

Quando corretamente posicionado, apresenta elevada eficiência no controle de lagartas da soja e do milho, contribuindo para a estabilidade do sistema produtivo.

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Este artigo integra a série especial sobre prescrição agronômica, desenvolvida para aprofundar os principais aspectos técnicos, legais e operacionais envolvidos na recomendação e no manejo de insumos agrícolas. Ao longo da série, são abordadas diferentes estratégias de controle, ferramentas disponíveis no mercado e boas práticas para apoiar profissionais na tomada de decisão em campo, sempre alinhadas às exigências regulatórias e à realidade dos sistemas produtivos brasileiros.

O que são baculovírus e sua classificação biológica?

Os baculovírus constituem um grupo de vírus pertencentes à família Baculoviridae, caracterizados por infectar exclusivamente insetos, sobretudo larvas de lepidópteros. 

Possuem genoma de DNA fita dupla e apresentam elevada adaptação ao ambiente agrícola, onde persistem protegidos por estruturas específicas.

Características gerais dos baculovírus

Os baculovírus integram a família Baculoviridae, a qual compreende dois principais gêneros de interesse agrícola: Nucleopolyhedrovirus e Granulovirus

Os representantes do gênero Nucleopolyhedrovirus caracterizam-se pela formação de corpos de oclusão poliédricos, conhecidos como poliedros, que envolvem múltiplas partículas virais. 

Em contraste, os vírus do gênero Granulovirus apresentam partículas virais individualizadas, ocluídas em corpos proteicos de formato ovóide, denominados grânulos.

Ao longo do ciclo de infecção, esses vírus originam duas formas distintas de progênie viral, com funções complementares. A forma brotada, denominada Budded Virus (BV), está associada à disseminação sistêmica do vírus no interior do inseto hospedeiro.

Microscopia e aspecto morfológico dos corpos de oclusão de baculovírus, estruturas proteicas formadas pelo próprio agente viral, responsáveis pela preservação e proteção das partículas infectivas, os vírions. Fonte: Ardisson-Araújo, 2017.

Já a forma derivada de corpos de oclusão, conhecida como Polyhedra-Derived Virus (PDV), atua principalmente na infecção inicial, sendo responsável pela transmissão do patógeno entre insetos no ambiente.

No manejo fitossanitário, os baculovírus têm ampla aplicação como agentes de controle biológico de insetos-praga, em função da elevada especificidade aos hospedeiros-alvo e da compatibilidade com outros inimigos naturais presentes nos agroecossistemas. 

Do ponto de vista estrutural, os baculovírus apresentam formato alongado e são encapsulados em corpos de oclusão, formados principalmente por proteínas. Esses corpos funcionam como unidades de proteção do vírus no ambiente, permitindo sua sobrevivência fora do hospedeiro.

Essa característica confere aos baculovírus elevada estabilidade relativa em condições de campo, desde que respeitados os critérios técnicos de aplicação. A persistência ambiental está diretamente associada à eficiência do controle secundário, especialmente em áreas com histórico de infestação.

Especificidade como princípio biológico

Uma das principais particularidades dos baculovírus é sua especificidade extrema. Cada espécie viral infecta apenas uma ou poucas espécies de insetos, não apresentando ação sobre ovos, pupas, adultos ou organismos não-alvo, como inimigos naturais, polinizadores, vertebrados ou seres humanos.

Essa especificidade exige correta identificação da praga, mas, ao mesmo tempo, garante elevado nível de segurança ambiental e seletividade dentro do MIP.

Modo de ação do baculovírus no inseto hospedeiro

O baculovírus apresenta modo de ação exclusivamente por ingestão, o que diferencia sua dinâmica de controle em relação aos inseticidas químicos de contato ou sistêmicos. 

A eficiência do produto está diretamente relacionada ao comportamento alimentar da lagarta.

Etapas do processo infeccioso

O modo de ação dos baculovírus baseia-se na ingestão do patógeno pelas lagartas durante a alimentação em superfícies vegetais tratadas. 

Após a ingestão, as partículas virais alcançam o intestino médio, onde iniciam a infecção das células epiteliais e passam a se multiplicar. A infecção progride para outros tecidos do inseto, comprometendo funções fisiológicas vitais, o que resulta na interrupção da alimentação, perda de mobilidade e enfraquecimento geral da lagarta. 

A morte do inseto ocorre alguns dias após a infecção, momento em que grande quantidade de partículas virais é liberada no ambiente, permitindo novas infecções e a continuidade do ciclo natural de supressão populacional. 

Devido à elevada especificidade aos hospedeiros-alvo, os baculovírus são amplamente empregados no manejo integrado de pragas, com reduzido impacto sobre insetos benéficos, organismos não alvo e o ambiente agrícola.

Cooclusão genotípica em baculovírus: organização de variantes virais e morfologia dos nucleocapsídeos em ODVs

Cooclusão genotípica em baculovírus: organização de variantes virais e morfologia dos nucleocapsídeos em ODVs. Fonte: Goulson (1995).

Após a ingestão do material contaminado, os corpos de oclusão se dissolvem no trato digestivo da lagarta, liberando partículas virais que infectam inicialmente as células do intestino médio. Em seguida, ocorre rápida multiplicação viral e disseminação sistêmica.

Esse processo leva à paralisação alimentar, comprometimento fisiológico e morte da lagarta em um intervalo médio de 5 a 10 dias, dependendo da espécie, do estádio larval e das condições ambientais.

Sintomas e diagnóstico de infecção

Lagartas infectadas por baculovírus apresentam sinais característicos, como coloração amarelada ou esbranquiçada, aspecto leitoso e perda de consistência corporal. Em estágios finais, o corpo se rompe facilmente, liberando milhões de partículas virais no ambiente.

Esse fenômeno promove a infecção secundária, ampliando o efeito do controle ao longo do tempo e reduzindo a pressão populacional da praga.

Importância do baculovírus no manejo de lagartas da soja

A soja é altamente suscetível ao ataque de lagartas desfolhadoras, especialmente em estádios vegetativos e reprodutivos iniciais. Entre as espécies de maior relevância destaca-se Anticarsia gemmatalis, historicamente associada a elevadas perdas produtivas.

Baculovirus anticarsia e o controle da lagarta-da-soja

O Baculovirus anticarsia é específico para o controle da lagarta-da-soja e representa uma das experiências mais consolidadas de uso de vírus entomopatogênicos no Brasil. Quando aplicado corretamente, apresenta eficiência elevada e redução expressiva da desfolha.

A ação do baculovírus é mais eficiente sobre lagartas jovens, motivo pelo qual o monitoramento frequente da lavoura constitui etapa indispensável para o sucesso do manejo. 

O Baculovirus anticarsia, classificado como Anticarsia gemmatalis multiple nucleopolyhedrovirus (AgMNPV), constitui um dos agentes de controle biológico mais consolidados no manejo da lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis, principal desfolhadora da cultura em diferentes regiões produtoras do Brasil. 

Trata-se de um vírus altamente específico, cuja infecção ocorre exclusivamente em populações do inseto-alvo, o que confere elevado grau de seletividade e reduz riscos a organismos não alvo.

Lagarta falsa-medideira Chrysodeixis includens sete dias após aplicação de Baculovírus ChinNPV em soja e comportamento de migração para o terço superior da planta. Fonte: Pedro Scortegagna Martins (2023).

O processo de infecção inicia-se com a ingestão dos corpos de oclusão presentes na superfície foliar tratada. No intestino médio da lagarta, em ambiente alcalino, ocorre a dissolução desses corpos proteicos, liberando as partículas virais infectivas. 

Essas partículas penetram nas células epiteliais do intestino e passam a se multiplicar, originando a forma brotada do vírus, responsável pela disseminação sistêmica da infecção para outros tecidos do inseto, como hemócitos, tecido adiposo e epiderme. 

Como consequência, observa-se rápida interrupção da alimentação, redução da atividade locomotora e desorganização fisiológica progressiva.

A morte da lagarta ocorre, em geral, entre quatro e sete dias após a infecção, dependendo da dose viral, do estádio larval e das condições ambientais. 

Após a morte, o tegumento do inseto se rompe, liberando grande quantidade de novos corpos de oclusão no ambiente, os quais permanecem aderidos à palhada e às folhas, possibilitando infecções secundárias e ampliando o efeito de supressão populacional ao longo do ciclo da cultura.

Níveis de ação e limites de desfolha

A aplicação do baculovírus deve respeitar os níveis de ação recomendados no MIP. Em soja, o controle biológico é indicado quando a desfolha encontra-se abaixo de 30% até o final da floração e abaixo de 15% após o início da formação de vagens.

Aplicações tardias, com populações elevadas ou lagartas de maior porte, reduzem significativamente a eficiência do controle biológico e podem exigir integração com outras táticas.

Baculovírus na agricultura e na biotecnologia

Baculovírus na agricultura e na biotecnologia: especificidade entomopatogênica, corpos de inclusão e uso como sistema de expressão proteica. Fonte: Priscilla Tavares (2025).

Uso do baculovírus no manejo de lagartas do milho

No milho, a principal praga-alvo do baculovírus é Spodoptera frugiperda, conhecida como lagarta-do-cartucho. 

Essa espécie apresenta comportamento alimentar agressivo e elevada capacidade de causar perdas no estande e no potencial produtivo.

Baculovirus spodoptera no controle da lagarta-do-cartucho

O Baculovirus spodoptera, geralmente referido como Spodoptera frugiperda multiple nucleopolyhedrovirus (SfMNPV), constitui uma ferramenta biológica direcionada ao manejo da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, uma das principais pragas do milho e de outras culturas anuais no Brasil. 

Sua atuação baseia-se em elevada especificidade ao inseto-alvo, característica que restringe a infecção às populações de S. frugiperda e reduz impactos sobre organismos não alvo presentes no agroecossistema.

O processo de controle inicia-se com a ingestão dos corpos de oclusão depositados sobre a superfície foliar após a pulverização. Em condições de pH alcalino no intestino médio da lagarta, esses corpos são solubilizados, liberando partículas virais que infectam inicialmente as células epiteliais do trato digestivo.

Lagartas de Spodoptera frugiperda sete dias após aplicação do baculovírus em São Desidério

Lagartas de Spodoptera frugiperda sete dias após aplicação do baculovírus em São Desidério, BA. Fonte: Lucas Gouveia Santos (2025).

A partir desse ponto, o vírus passa a se multiplicar e a se disseminar sistemicamente por meio da forma brotada, alcançando tecidos como hemolinfa, tecido adiposo e epiderme, o que compromete funções fisiológicas essenciais do inseto.

A eficiência do Baculovirus spodoptera está fortemente associada ao estádio de desenvolvimento da praga no momento da aplicação. Lagartas jovens, nos primeiros ínstares, apresentam maior suscetibilidade à infecção, uma vez que se alimentam de forma mais superficial e ingerem maior quantidade de partículas virais presentes nas folhas. 

Em estádios mais avançados, o hábito de alimentação no interior do cartucho reduz o contato com o produto, limitando a ingestão do vírus e, consequentemente, o desempenho do controle.

Após a infecção, observa-se redução progressiva da alimentação, letargia e desorganização metabólica das lagartas, culminando na morte geralmente entre cinco e dez dias, em função da dose aplicada, do estádio larval e das condições ambientais. 

Após a morte, ocorre a liberação de novos corpos de oclusão no ambiente, favorecendo infecções secundárias e contribuindo para a supressão da população ao longo do ciclo da cultura, sobretudo em áreas com histórico de uso do produto.

Aspectos morfológicos pós-infecção viral em Spodoptera frugiperda: fragilidade do tegumento e fixação ao tecido vegetal

Aspectos morfológicos pós-infecção viral em Spodoptera frugiperda: fragilidade do tegumento e fixação ao tecido vegetal. Fonte: Lucas Gouveia Santos (2025).

No manejo integrado de pragas, o Baculovirus spodoptera apresenta elevada compatibilidade com inimigos naturais e com outras táticas de controle, incluindo práticas culturais e o uso criterioso de inseticidas seletivos. 

Sua inserção em programas de manejo antirresistência é particularmente relevante, considerando a recorrência de casos de resistência de S. frugiperda a inseticidas químicos e a eventos transgênicos

Limitações operacionais no milho

Diferentemente da soja, o milho apresenta arquitetura foliar que dificulta a deposição do produto no cartucho, especialmente em estádios mais avançados. Isso exige volumes adequados de calda e atenção à tecnologia de aplicação.

O baculovírus deve ser posicionado como ferramenta preventiva ou de início de infestação, evitando cenários de alta pressão populacional.

Tecnologia de aplicação e fatores ambientais

A eficiência do baculovírus depende fortemente da tecnologia de aplicação, uma vez que se trata de um agente biológico sensível a condições ambientais adversas.

Horário e condições ideais de aplicação

A aplicação deve ser realizada preferencialmente no final da tarde ou início da noite, reduzindo a exposição do vírus à radiação ultravioleta, principal fator de degradação das partículas virais.

Condições de estresse hídrico, temperaturas elevadas e baixa atividade alimentar das lagartas reduzem a eficiência do controle e devem ser consideradas na tomada de decisão.

Volume de calda e cobertura foliar

Volumes de calda inferiores a 100 L ha¹ podem comprometer a cobertura foliar, especialmente em culturas de maior porte. 

A deposição uniforme do produto sobre as folhas é determinante para garantir ingestão pelas lagartas.

Vantagens agronômicas do baculovírus no MIP

O uso de baculovírus apresenta vantagens estratégicas dentro dos sistemas de produção modernos, especialmente quando integrado a outras táticas de manejo.

Segurança ambiental e seletividade

Os baculovírus são inofensivos a seres humanos, animais e organismos benéficos, permitindo sua utilização em programas de produção que priorizam segurança alimentar e conservação ambiental.

Essa seletividade favorece a manutenção de inimigos naturais, contribuindo para o equilíbrio ecológico da lavoura.

Redução da pressão de resistência

Por apresentarem mecanismo de ação distinto dos inseticidas químicos, os baculovírus reduzem a pressão de seleção por resistência, prolongando a vida útil de moléculas químicas utilizadas de forma complementar.

Limitações e pontos críticos no uso do baculovírus

Apesar das vantagens, o baculovírus apresenta limitações que precisam ser compreendidas tecnicamente para evitar falhas de controle.

Velocidade de ação

A ação lenta, característica do controle biológico viral, exige planejamento prévio e não é indicada para situações de emergência com altas infestações.

Dependência do monitoramento

O sucesso do uso do baculovírus está diretamente ligado à qualidade do monitoramento da lavoura, sendo inadequado para sistemas sem acompanhamento técnico frequente.

Produção on farm de baculovírus: fundamentos e riscos

A produção on farm de baculovírus tem sido discutida como prática operacional em propriedades com histórico de uso de controle biológico, sobretudo em contextos de alta pressão de lagartas. 

Do ponto de vista técnico, trata-se de um processo viável, porém sensível, que demanda padronização rigorosa de procedimentos, acompanhamento técnico contínuo e compreensão clara dos limites sanitários e legais envolvidos. 

A ausência desses requisitos compromete a qualidade do material obtido, a previsibilidade do controle e a segurança do sistema produtivo.

Princípios básicos da produção

A multiplicação do baculovírus em ambiente on farm baseia-se na infecção controlada de lagartas suscetíveis, normalmente a partir de um produto comercial registrado. 

Esse ponto é central, pois assegura que o isolado viral utilizado apresente especificidade comprovada, viabilidade biológica e histórico de qualidade. As lagartas infectadas passam a atuar como biofábricas, permitindo a replicação do vírus ao longo do ciclo infeccioso até a morte do inseto, momento em que ocorre a liberação dos corpos de oclusão.

Para que o processo mantenha coerência técnica, é indispensável o controle do estádio larval, da dose inicial de inóculo, das condições ambientais e do manejo do material biológico durante todo o ciclo. 

A coleta, maceração e diluição do material devem seguir protocolos definidos, evitando variações que comprometam a concentração viral e a estabilidade do produto final. Pequenos desvios operacionais tendem a resultar em materiais com resposta irregular em campo.

Limitações sanitárias e regulatórias

Apesar da viabilidade técnica, a produção on farm de baculovírus apresenta restrições sanitárias relevantes. Ambientes sem controle microbiológico favorecem contaminações por bactérias, fungos oportunistas e outros vírus entomopatogênicos, o que pode descaracterizar o material produzido e gerar riscos ao sistema agrícola. Além disso, não há garantias de uniformidade entre lotes, fator crítico quando se busca previsibilidade no manejo de pragas.

Do ponto de vista regulatório, a produção e o uso de bioinsumos devem observar a legislação vigente, especialmente no que se refere à origem do material, rastreabilidade e responsabilidade técnica. 

A produção on farm, portanto, deve ser considerada apenas em sistemas assistidos por profissionais habilitados, com protocolos claros, registros operacionais e alinhamento às normativas oficiais.

Como a AgroReceita apoia o manejo do milho safra e safrinha

O manejo do milho, tanto na safra quanto na safrinha, demanda decisões técnicas consistentes e formalizadas, sobretudo quando envolve intervenções químicas para plantas daninhas, pragas ou doenças. Nesse contexto, o receituário agronômico deixa de ser apenas um requisito legal e passa a integrar o fluxo decisório do manejo, exigindo alinhamento com o estádio fenológico da cultura, as condições ambientais e as recomendações oficiais de uso.

Na prática operacional, engenheiros agrônomos e técnicos atuam sob pressão de tempo, grandes áreas e múltiplos talhões. Processos manuais ou pouco integrados tendem a gerar retrabalho, inconsistências técnicas e riscos de inconformidade regulatória, cenário ainda mais sensível em sistemas intensivos de milho safrinha.

A AgroReceita organiza esse processo ao centralizar a emissão de receituários do plantio à colheita em um ambiente digital estruturado. A plataforma reúne bulas dos defensivos atualizadas, conforme alterações do Mapa, suporte ao posicionamento técnico por cultura e alvo, campos padronizados conforme a legislação vigente e uniformização das prescrições entre áreas e propriedades.

Com isso, o profissional direciona seu foco para a análise agronômica e a tomada de decisão em campo, enquanto a AgroReceita assegura conformidade normativa, rastreabilidade das informações e fluidez operacional. O resultado é um manejo do milho mais previsível, seguro e alinhado às exigências técnicas da safra e da safrinha.

Conclusão

O baculovírus configura-se como inseticida biológico inovador no manejo de lagartas da soja e do milho, desde que corretamente posicionado dentro do MIP. 

Sua eficiência está condicionada ao monitoramento, ao estágio da praga, à tecnologia de aplicação e às condições ambientais.

A integração do baculovírus aos sistemas produtivos contribui para maior estabilidade agronômica, redução da dependência química e construção de sistemas agrícolas tecnicamente mais equilibrados e sustentáveis.

Sobre o Autor

Alasse Oliveira

Engenheiro Agrônomo, Mestre e Especialista em Produção Vegetal e, Doutorando em Fitotecnia (ESALQ/USP)

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